O preço da liberdade
Sobre as virtudes da liberdade tem-se dito muito e parolado muito mais. É, portanto, díficil compreender que, até entre os seus crentes mais fervorosos, haja tão grande ignorância acerca da sua essência e cor.
E não há melhor pretexto para invocar a sagrada palavra que a recente aprovação em parlamento do casamento entre pessoas do mesmo sexo, ignóbil profanação da instituição do matrimónio, que tanta confusão tem feito lá para os lados do laranjal e entre beatos e beatas, dos de missa e comunhão, desses que passam quase tanto tempo a pedir a deus que castigue os hereges como a lhe rogar que cumpra nesta vida algumas das bem-aventuranças que prometeu para a outra.
Tudo isto, sendo verdade, não significa nada. Para que signifique algo terei de defender o casamento homossexual, tarefa que, por príncipio, não deveria empreender, pois não sou homossexual e consequentemente é assunto que não me diz respeito. A liberdade, no entanto, é de todos e é em defesa dela que proponho a tese de que o casamento entre pessoas do mesmo sexo deve ser legalizado e reconhecido por todas as instituições do Estado, tal como a lei agora aprovada prevê. (mais…)

