João Vieira

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O preço da liberdade

Sobre as virtudes da liberdade tem-se dito muito e parolado muito mais. É, portanto, díficil compreender que, até entre os seus crentes mais fervorosos, haja tão grande ignorância acerca da sua essência e cor.

E não há melhor pretexto para invocar a sagrada palavra que a recente aprovação em parlamento do casamento entre pessoas do mesmo sexo, ignóbil profanação da instituição do matrimónio, que tanta confusão tem feito lá para os lados do laranjal e entre beatos e beatas, dos de missa e comunhão, desses que passam quase tanto tempo a pedir a deus que castigue os hereges como a lhe rogar que cumpra nesta vida algumas das bem-aventuranças que prometeu para a outra.

Tudo isto, sendo verdade, não significa nada. Para que signifique algo terei de defender o casamento homossexual, tarefa que, por príncipio, não deveria empreender, pois não sou homossexual e consequentemente é assunto que não me diz respeito. A liberdade, no entanto, é de todos e é em defesa dela que proponho a tese de que o casamento entre pessoas do mesmo sexo deve ser legalizado e reconhecido por todas as instituições do Estado, tal como a lei agora aprovada prevê. (mais…)

O Leitismo

Ao contrário do que se pensa o leitismo não é laranja. É cinzento. Da cor da hipocrisia e da falta de ânimo. Sectários de uma teoria política que pretende vender a verdade como se se tratasse de um saca de batatas num mercado de lavradores. Repugna-me a falta de paixão e de energia, a falta de esperança e de utopia. O progresso é a realização de utopias. Mas tudo isto, sendo reles como o é, não passa apenas de um ponto escuro na ignóbil tela social-democrata. Todo o mal está na intolerância, na prosápia falada dos que se acham no direito de impôr ao mundo as suas ideias e dos que se julgam accionistas maioritários do certo e errado.

Caro leitor: o que está em causa nestas eleições não é votar por Sócrates ou contra ele. É votar na modernização de Portugal ou contra ela, em favor de um conservadorismo mórbido. É votar pela tolerância, reconhecendo a todos o direito à felicidade, ou contra ela, em favor de uma prepotência pertinaz que pretende decidir como cada qual deve viver a sua vida. É votar pelo futuro ou contra ele.

Nós por cá

Desengane-se quem, como eu, acredita que a estupidez política na Madeira é colorida apenas de laranja e encontra na figura irrisória do seu presidente o expoente máximo. Duarte Gouveia, candidato socialista ao Funchal, acredita, pelos vistos, que a prioridade maior para o município, numa altura de crise, é erguer uma estátua a Cristiano Ronaldo. Não sei se me repugna mais a vacuidade de ideias ou monumento em si. Ou se talvez a imagem, que me invade a alma, das personagens grotescas, ignorantes até da sua ignorância, em modos desajeitados, vomitando a estupidez de que são feitas, em redor do dito monumento tirando fotografias para, como refere o aspirante a autarca, despejar pelas redes sociais na Internet. Afinal, como já dizia Voltaire, o senso comum não é assim tão comum.